
13 out Contribuições da psicologia positiva para indivíduos, equipes e organizações parte 1
Introdução a série de artigos:
Contribuições da psicologia positiva para indivíduos, equipes e organizações.
Acabei de finalizar a defesa da minha tese de psicologia positiva e seus impactos na sociedade como um todo e não acho justo estes aspectos ficarem restritos somente a uma tese teórica, visto o tamanho do benefício que estes conhecimentos podem gerar. Por esse motivo, resolvi, ainda em forma de artigo, dividir este conteúdo e preparei uma série de artigos, sendo este apenas a introdução do tema, para explorar como a psicologia positiva pode contribuir indivíduos, equipes e organizações. Serão uma série de artigos que irão compor um raciocínio e uma conclusão sobre o tema.
Introdução ao tema.
Como podemos abordar o tema psicologia sem falar em doenças como depressão, ansiedade, estresse entre outras doenças psicossomáticas? Será que existe uma solução para este questionamento? Esta é a resposta que os estudiosos da psicologia positiva estão buscando. As doenças psicossomáticas vêm sendo estudadas e pesquisadas desde o surgimento da curiosidade do homem pelo seu comportamento e psiquismo.
Os atos e reações do ser humano, por muitos anos foram alvo de estudos, principalmente pela tendência de afeto que, de forma geral, a humanidade têm pelo negativismo e por doenças. A psicologia, ao longo dos anos, teve e ainda tem um papel fundamental no estudo de doenças mentais, reações, correções de traumas, estudos sobre depressão, mas por muito tempo, embaixo do termo psicologia, só se estudava doenças e distúrbios mentais.
A ciência da psicologia é regida pelas mesmas regras de outras ciências e possui como principal objetivo a busca de um conhecimento, sempre baseado em fatos empíricos, ou seja, que possam ser evidenciados, testados e provados. Esta ciência vem estudando as doenças psicológicas ao longo de muitos anos. Os processos mentais, ou seja, como a mente pensa, planeja, conclui, fantasia, sonha, age e reage foram e ainda são os objetos de estudo da psicologia tradicional e compreender este processo foi fundamental para chegarmos no nível de conhecimento que temos hoje. Até então, entendia-se como principal objetivo da ciência da psicologia estudar a estrutura psicológica do ser humano e o funcionalismo dos processos conscientes.
Ao longo dos anos, psicólogos começaram a entender que a psicologia poderia apresentar estudos mais amplos e abranger aspectos biológicos, médicos, perspectiva psicodinâmica, analítica, comportamentalista, humanista, cognitiva evolucionista, cultural social, porém sempre com foco em distúrbios ou problemas psicológicos ou sócias. Busca incessante por explicações de comportamentos e reações a uma determinada ação.
Com estes estudos de doenças, a psicologia tradicional tem como principal objetivo explicar, descrever e prever os processos mentais e suas reações comportamentais e isso requer muitas observações. Estas observações ao longo dos estudos levaram alguns psicólogos ao questionamento do porquê a psicologia só estuda e se aprofunda os estudos em doenças e distúrbios.
Avanço da psicologia
Estes tipos de questionamento levaram dois psicólogos (Seligman & Peterson, 2004) a se questionarem porque os estudos relacionados a psicologia, em sua grande maioria, eram relacionados a fatores negativos, doenças e outros fatores negativos associados a psicologia. Desta forma, ambos decidiram iniciar estudos relacionados ao lado positivo da psicologia e este movimento vem ganhando força e vem se aprofundando cada vez mais no lado positivo da psicologia.
Ainda temos muito espaço para estes estudos, mas já houve um grande avanço nos últimos anos. Atualmente, se fizermos uma busca nos estudos publicados até julho de 2021 no Psycnet da American Psychological Associantion por título (https://psycnet.apa.org/home), teremos um resultado aproximado de um artigo de aspectos relacionados à positividade versus cinco artigos publicados relacionados a psicologia tradicional, ou seja, assuntos relacionados a doenças. Somente artigos sobre depressão, pode-se encontrar próximos de 365 mil, ansiedade mais 291 mil artigos e estresse outros 311 mil artigos aproximadamente, enquanto felicidade encontraremos um número próximo de 22 mil artigos.
Esta proporção já foi ainda mais insatisfatória. Segundo Dinier et al. (1999), um ano antes do início da psicologia positiva, existiam dezessete estudos de aspectos negativos da psicologia como depressão, ansiedade, estresse para apenas um estudo do aspecto positivo da psicologia como otimismo, satisfação, engajamento, gratidão, felicidade entre outros.
Estes números mostram que os cientistas se aprofundaram sobre disfunções ao longo dos anos, e sabemos muito a respeito delas, porém, ainda temos um imenso espaço quando se trata do lado positivo da psicologia.
No mundo moderno, síndrome de burnout está cada vez mais comum dentro das organizações e podemos encontrar aproximadamente dezessete mil artigos a respeito deste tema no site da Psycnet da American Psychological Associantion (https://psycnet.apa.org/home). A contrapartida da síndrome de burnout é o engajamento e este tema ainda tem muito espaço para descobertas e estudos, enquanto burnout já foi exaustivamente estudado. Sabemos muito mais de síndrome de estresse ou burnout do que engajamento no trabalho.
Devido a quantidade de estudos, artigos e publicações de questões negativas da psicologia, muito se descobriu a respeito das doenças psicossomáticas. Por outro lado, apesar de aspectos positivos da psicologia terem sido abortados desde o antigo Egito pela deusa Maat (2680-2190 ac), que já falava de verdade, equilíbrio, justiça, passando pelos filósofos gregos Platão (428 – 348 ac) que falava de 4 virtudes cardeais e Aristóteles (384-322 ac) que falava de virtudes e destacava a coragem como a primeira das virtudes necessárias para o ser humano, no mundo moderno, pouco se estudava sobre o lado positivo da psicologia e isso tinha como consequência a redução de estudos empíricos a respeito dos impactos da positividade no indivíduo, time, empresas e até países.
Com o aumento de estudos do aspecto positivo nos últimos anos, após a criação do termo psicologia positiva por Seligman e Peterson (2004), a psicologia teve um avanço neste sentido e começou-se a evidenciar que a positividade, o conhecimento e fortalecimento das virtudes, o aumento de autoconhecimento, o perdão, a gratidão e muitos outros aspectos positivos da psicologia traziam muitos benefícios individuais, para equipes, para empresas e para relacionamentos.
Com base nestes estudos da psicologia positiva, eu vou apresentar nesta sequencia de artigos, os benefícios que a psicologia positiva proporciona para a nossa vida como individuo, como profissional, como equipe e principalmente para as organizações.
Atualmente, apesar dos estudos da psicologia positiva ainda serem minoria, comparado aos estudos sobre negatividade e doença, já existem dados e informações empíricas suficientes para concluir que usar a psicologia positiva em nossa vida, seja ela profissional ou pessoal, nos proporciona muitos benefícios e é isso que quero apresentar para vocês nesses artigo, que em um futuro próximo estarão em meu próximo livro.
Esta positividade ainda não tem o destaque que merece e por isso, quanto mais estes benefícios estiverem difundidos em nossa sociedade, mais podemos nos beneficiar dele, beneficiar o meio que vivemos e obter melhores resultados como pessoa, individuo, time, empresa e nação.
Essa é a introdução dos artigos que estão por vir, portanto, não deixe de acompanhar os próximos posts.